quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O livro Amarelo de Fernando Farias
SALADA MÍSTICA
Finalmente sai mais um livro do escritor Fernando Farias.
Agora é a vez do Livro Amarelo com sete contos destacando o Salada Mística que dá título a capa.
Mantendo o mesmo padrão de pequenos livros de fácil leitura e barato, são 36 páginas sem abrir mão da beleza externa e a profundidade nas histórias, com capa e diagramação da artista Cybelle Soriano e revisão de Sachiko Shinozaki.
Os sete contos são: Alexandria, ou o encontro de Fernando Farias com Jorge Luis Borges no inferno, Um pequeno vício, A Louca do Liquidificador, Deus acredita em mim, Cuecas Coloridas, O Resto da Maçã, Menina Chinesa, Salada Mística.
Fernando Farias retoma aos temas filosóficos mexendo com crenças religiosas e outras fantasias. O bom humor está presente em quase todos os sete contos. Não por acaso o místico número sete, sem superstições ou heresias.
Mais uma vez dedicado aos mestres Marcelino Freire e Raimundo Carrero e com agradecimento especial ao Deputado João Fernando Coutinho.
O livro foi lançado oficialmente no dia 03 de outubro, na Bienal do Livro do Recife e já pode ser adquirido pela internet pelo e-mail.
fernando.farias7@hotmail.com.
Veja ao lado outros livros de Fernando Farias.

sábado, 4 de abril de 2009

FERNANDO FARIAS NA TV GLOBO
Finalmente consegui a cópia da entrevista no programa Jardim da Literatura exibido mês passado na TV Globo. Para acessar basta clicar neste link
http://www.youtube.com/watch?v=w9YfmBKDxZ8

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O encontro de Fernando Farias com
Jorge Luis Borges no Inferno.

Alexandria é o título do conto do escritor Fernando Farias, que acaba de ser publicado no Suplemento Pernambuco do Diário Oficial do Estado. Editado pelo Escritor Raimundo Carrero e pelos jornalistas Schneider Carpeggiani e Mariza Pontes, o suplemento tem uma tiragem de 15 mil exemplares.
Trata-se de um conto estranho que relata o encontro do próprio Fernando Farias, logo após ter o crânio esmagado, com o escritor argentino Jorge Luís Borges no inferno, onde pagam pelos pecados de seus maiores desejos em vida. E o inferno deste encontro é um lugar surreal onde se descobre que dentro é maior do que fora.
“Acho que foi o conto que mais demorei a escrever, passou anos engavetado, retocado e engavetado novamente. Tive que entrar no universo borgeano, nos seus labirintos fantásticos, e, ao mesmo tempo, manter minha escrita sem sucumbir à estética de Borges. Não foi fácil separar as coisas. Não deixei Borges psicografar para mim”, explica o escritor pernambucano de 51 anos, autor de cinco pequenos livros de contos. “Ao mesmo tempo, foi meu conto mais longo, seis páginas, o que fez quebrar minha promessa de só escrever contos de apenas 10 linhas. Culpa do Jorge Luís Borges”.
Fernando Farias prepara o lançamento de mais dois livros. Em maio sai um de contos, o Livro Amarelo, que vem se somar aos já publicados Azul, Vermelho, Laranja e Verde, e programa para setembro o seu primeiro romance, O Livro do Fogo.

sábado, 21 de março de 2009


Eu matei o Padre Ramiro
Fernando Farias
Comove a ironia do destino. O assassinato do padre espanhol Ramiro Ludeño, numa tentativa de assalto. Justamente por um jovem 15 que queria dinheiro para pagar dívidas com o tráfico de drogas. Padre Ramiro foi morto justamente por um daqueles milhares de jovens que ele tanto ajudou durante 21 anos. Mas o rapaz não sabia disso, nem o povo de Pernambuco, era apenas um velho homem dirigindo um carro num bairro pobre.
Lembro do entusiasmo com que ele me mostrava as dependências de sua entidade voltada a apoiar jovens pobres em conseguir uma profissão e se libertarem do crime e das drogas.
“Meu trabalho é fazer esta meninada sonhar com um futuro diferente”. Repetia ao final de cada monologo que eu ouvia pacientemente.
Tenho certeza, sou capaz de jurar, que Padre Ramiro não condenaria o jovem que o matou. Com certeza reclamaria muito do rapaz, com aquela sua dicção espanhola engraçada, por ter atrapalhando a continuidade do trabalho de recuperar outros jovens e o convidaria a trabalhar na criação de animais em um sítio que mantinha no bairro do Curado.
Padre Ramiro era um faxineiro, tentava limpar o que a sociedade sujava nas mentes de nossos jovens. Lutava contra o tráfico, a policia corrupta, os governos indiferentes e pessoas como eu, que vê uma juventude desesperada e nada fazemos.
Eu fui um dos matadores do padre Ramiro. O governador também. O leitor também. E vamos continuar apenas observando, indiferentes, até chegar a nossa vez de encontrar pela frente um jovem de 15 anos drogado.
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Cronica publicada do Blog do Jamildo do Jornal do Commércio do Recife
Para saber mais acesse

quinta-feira, 12 de março de 2009

Eu me auto-excomungo


Eu me auto-excomungo

Fernando Farias *

Está cada vez mais difícil ser escritor. Escrever contos e ficção com criatividade. Pensei até em me dedicar ao realismo fantástico, com histórias surrealistas e bizarras, beirando o mistério e o horror. Acho que fracassei. Explico. A realidade está cada vez mais absurda e é difícil competir com as noticias nos jornais.
Pensei em escrever um conto assim. Começa com o parto numa maternidade pública numa cidadezinha no interior do estado. Uma criança de nove anos dando luz a gêmeos. Ela foi estuprada e sobrevive ao parto e agora terá que criar as duas crianças. Mesmo traumatizada pelo estupro e pela dor do parto, vai ter que ser mãe e ver, todos os dias, os filhos como uma punição ao pecado. O estuprador vai preso, mas tempos depois é solto por bom comportamento e bons advogados católicos. E as crianças, as três vítimas, pagam pelo resto da vida pelo crime cometido por um tarado.
Tudo isso porque um bispo e um padre ameaçaram de excomungar os médicos e a mãe da menina e assim impediram o aborto. Por sorte ninguém é excomungado e a história termina com um final feliz, no dia do batizado das crianças com a igreja lotada e o padre orgulhoso de batizar os raquíticos Cosme e Damião. Como os médicos não cometeram o aborto e não foram excomungados, nenhuma planta carnívora os atacou e raios e trovoadas não caíram sobre a maternidade.
Uma cena para encerrar. O bispo feliz lendo a Bíblia, no evangelho São Mateus, onde Deus protege apenas o seu filho Jesus e deixa Rei Herodes comandar a matança de milhares de crianças inocentes, a maior carnificina de crianças da história e só uma criança foi salva por anjos.
Seria uma história besta, comum, sem interesse ao leitor. Não agradaria aos grupos de defesa das mulheres. Acho que se eu descrevesse um conto erótico com a relação incestuosa do padrasto com a menina eu faria sucessos em algumas capelas.
Mas tenho dificuldades em criar coisas assim. É complicado ser criativo como os pedófilos e os bispos. Vou deixar de ser escritor. Eu me auto-excomungo e vou ler apenas jornais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fernando Farias na TV Globo

Nesta sexta-feira, no Bom Dia Pernambuco o Repórter Evaristo Filho vai entrevistar o escritor Fernando Farias dentro do quadro Jardins de Literatura.
Num papo descontraído Fernando Farias fala de sua obra, do movimento literário em Pernambuco e da importância das oficinas literárias. Fernando foi aluno da Oficina de Raimundo Carrero.
Gravado nos jardins do Campus da Universidade Federal de Pernambuco a entrevista vai ao ar as 6:30 da manhã desta sexta-feira, dia 27, dentro do Bom Dia Pernambuco.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Conto

CUECAS COLORIDAS
Comprei uma cueca amarela para a virada do ano novo. O gerente do banco me disse que o amarelo atrai dinheiro o ano todo. Minha esposa não gostou e me presenteou com cuecas azuis, azul do amor.
Minha filha diz que seria melhor usar uma branca, assim teria um ano de paz. A sogra fala do violeta, uma cor mística e alta influencia cósmica. Minha empregada diz que vermelha é a cor do sangue e de Marte, o deus da guerra.
Não sou supersticioso. Não acredito em cromoterapias, duendes, fadas e nem em Obama. Terminei ganhando de presente de amigo secreto um conjunto de 12 cuecas ecologicamente verdes, cor de Oxóssi, meu santo de cabeça.
Faltando meia hora para meia noite, lá estava eu, enrolado numa toalha marrom, sentado no vaso sanitário e com dúvida se ficaria sem cuecas ou usaria todas as sete cores do arcoíris, uma cima da outra, como forma de agradar a todos os santos, profetas e influências planetárias.
Faltando 5 minutos, meti a mão na gaveta e peguei uma das cuecas aleatoriamenete. Veio uma preta. A supertinção atrai mesmo o azar. Nada de errado aconteceria comigo por causa de uma cor de cuecas.
Meia noite, vendo os fogos na televisão, ouvindo a musiquinha chata do pisca-pisca chinês da árvore de natal, fui abrir a garrafa de Cidra que estourou e a tampa acertou a cabeça de minha esposa.
Fiquei viuvo. Estou de luto.

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